Unico quer se consolidar no Brasil não apenas como uma empresa associada à biometria, mas como uma verdadeira camada de confiança para qualquer tipo de relacionamento digital, em diferentes setores da economia. A proposta central é simples e ao mesmo tempo ambiciosa: garantir que a pessoa do outro lado da tela seja, de fato, quem afirma ser, reduzindo drasticamente as fraudes sem tornar a experiência do usuário mais difícil ou burocrática.
Na prática, a atuação da companhia já se espalha por um amplo ecossistema: bancos, grandes varejistas, plataformas de apostas, e-commerces e outros ambientes em que a validação de identidade passou a ser um ponto crítico da jornada digital. Em vez de se enxergar como uma “empresa de biometria” no sentido clássico, a Unico busca se posicionar como uma infraestrutura de confiança digital, capaz de sustentar transações de alto valor e contextos de maior risco.
A biometria facial, embora seja um dos pilares da autenticação oferecida pela empresa, é tratada como apenas um componente de um conjunto mais amplo de tecnologias. A estratégia é combinar múltiplos sinais – biometria, dados de contexto, padrões de comportamento e outros indicadores – para realizar uma validação de identidade mais precisa e proporcional ao risco envolvido em cada operação. Em transações de menor risco, por exemplo, podem ser utilizadas checagens silenciosas em segundo plano; já em situações sensíveis, entram em cena mecanismos biométricos mais robustos.
Esse modelo ganhou força justamente porque a Unico opera em vários segmentos da economia digital, criando o que a empresa descreve como uma “rede de validação”. Essa rede permite detectar, com maior eficiência, tentativas de fraude de identidade que migram de um serviço para outro. Assim, uma tentativa maliciosa registrada em uma plataforma pode ser bloqueada em outra, dentro do mesmo ecossistema, antes que cause prejuízos.
Os números ajudam a dimensionar essa escala. Em apenas um ano, a empresa realizou mais de 1,5 bilhão de verificações de identidade e afirma ter contribuído para evitar perdas superiores a R$ 23 bilhões em fraudes. A presença da Unico já abrange cinco dos maiores bancos privados do país, nove dos dez maiores varejistas e operações em mais de 20 países, o que reforça a ideia de uma infraestrutura de confiança que extrapola fronteiras e setores.
Um dos pontos centrais do posicionamento recente da empresa é a participação ativa no debate em torno do chamado “ECA Digital”, iniciativa que busca atualizar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. A Unico foca em um recorte específico dessa discussão: a verificação de maioridade em contextos classificados como de alto risco, como plataformas de conteúdo adulto, serviços de apostas, comercialização de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e também mecanismos de compra em jogos, como loot boxes.
Nesses casos, o modelo proposto é baseado em um princípio de mínima exposição de dados. Em vez de repassar à plataforma informações pessoais do usuário, o sistema apenas retorna um sinal objetivo, indicando se há ou não um adulto habilitado a acessar aquele produto ou serviço. A plataforma não descobre quem é a pessoa nem sua idade exata; recebe apenas um “sim” ou “não” relacionado à aptidão para o acesso. Por outro lado, a Unico não tem visibilidade sobre qual tipo de conteúdo será consumido ou que caminho de navegação o usuário seguirá depois da validação.
Essa arquitetura é pensada para respeitar os princípios de minimização de dados, proporcionalidade e limitação de compartilhamento de informações – diretrizes que vêm orientando o debate regulatório sobre privacidade, proteção de dados e direitos digitais. Em especial, quando o sistema detecta que não há um adulto do outro lado da verificação, a resposta enviada à plataforma é somente negativa, sem anexar qualquer dado adicional que possa identificar a criança ou o adolescente.
Outro aspecto sensível está no manuseio de dados biométricos. A empresa afirma que os registros coletados exclusivamente para essa validação de maioridade são descartados imediatamente após o processo, reduzindo o risco de uso indevido no futuro. Esse modelo é apresentado como uma alternativa mais segura e menos invasiva em comparação a práticas como o envio de fotos de documentos inteiros, que expõem uma quantidade de informações muito maior do que o necessário para confirmar apenas a idade.
Do ponto de vista tecnológico, a Unico enfatiza a robustez de seus mecanismos de autenticação. A biometria facial utilizada trabalha com centenas de pontos de análise do rosto, permitindo uma comparação detalhada entre a imagem capturada e o padrão previamente registrado. Já a prova de vida agrega diferentes elementos – profundidade, textura da pele, padrão de luz, micro-movimentos e outros sinais – para garantir que há uma pessoa real diante do dispositivo, e não uma foto, vídeo ou representação sintética.
Além disso, a empresa destaca que submete suas tecnologias a avaliações periódicas conduzidas por instituições independentes, com foco em dois eixos principais: resistência a ataques e fraudes, e taxa de erro envolvendo usuários legítimos. O objetivo é equilibrar segurança e usabilidade, ou seja, impedir acessos indevidos sem punir o cidadão honesto com um excesso de recusas ou fricção.
A discussão também se estende para o campo dos serviços públicos digitais. Diante das dificuldades enfrentadas por muitos brasileiros em processos de validação de identidade em plataformas governamentais – como o acesso a serviços previdenciários ou benefícios sociais -, a Unico tem buscado se aproximar do governo federal para colaborar na modernização dessas etapas de autenticação. A avaliação é de que o setor privado já dispõe de soluções maduras capazes de reduzir filas, burocracia e falhas de identificação em larga escala.
Nesse contexto, um dos desafios é conciliar inclusão digital e segurança. Uma solução robusta de identificação não pode excluir cidadãos com dispositivos mais simples, conexão instável ou menor familiaridade com ferramentas online. Isso exige o desenvolvimento de fluxos alternativos, versões mais leves das tecnologias de prova de vida e interfaces intuitivas, que ajudem o usuário a concluir a validação sem medo ou confusão, inclusive em regiões mais vulneráveis.
Outro ponto sensível é o alinhamento às normas de proteção de dados, como a legislação brasileira que define regras para coleta, armazenamento e tratamento de informações pessoais. A atuação em larga escala, lidando com dados de milhões de pessoas, exige políticas rígidas de governança, transparência sobre as finalidades do uso dos dados e mecanismos eficazes de segurança cibernética, para prevenir vazamentos e acessos não autorizados.
Em paralelo, cresce a preocupação global com o avanço de fraudes cada vez mais sofisticadas, incluindo o uso de deepfakes e outras técnicas de manipulação de imagem e áudio. A tendência é que sistemas de autenticação baseados em biometria e análise de contexto precisem evoluir continuamente para reconhecer sinais cada vez mais sutis de falsificação. Isso envolve investimento constante em pesquisa, atualização de modelos de detecção e treinamento de algoritmos com novos cenários de ataque.
A construção de confiança digital, porém, não depende apenas de tecnologia. É fundamental trabalhar também a educação do usuário. Explicar de forma clara como funcionam os processos de validação, quais dados são coletados, por quanto tempo são guardados e com que finalidade, torna as pessoas mais propensas a aceitar essas etapas de segurança. A transparência ajuda a reduzir receios, alimenta o debate público qualificado e permite que cidadãos e empresas cobrem práticas mais responsáveis.
Por fim, a discussão sobre proteção de menores em ambientes digitais tende a se tornar cada vez mais central. A pressão para que plataformas assumam maior responsabilidade sobre o conteúdo a que crianças e adolescentes têm acesso está aumentando, e soluções de verificação de maioridade que combinem eficiência, respeito à privacidade e simplicidade de uso aparecem como peças-chave nesse cenário. Modelos que não expõem dados em excesso e evitam criar grandes bases sensíveis de informações se tornam diferencial competitivo e, sobretudo, um requisito ético.
Ao se posicionar como uma camada de confiança transversal – presente no varejo, nos serviços financeiros, em plataformas de entretenimento, apostas e, potencialmente, também nos serviços públicos -, a Unico tenta ocupar um espaço estratégico na infraestrutura digital brasileira. O desafio agora é escalar essas soluções mantendo três pilares em equilíbrio: segurança contra fraudes, proteção de dados pessoais e uma experiência que não afaste o usuário, mas que o ajude a se sentir mais seguro sempre que precisar provar quem é no ambiente online.