Empresas ampliam investimentos em cibersegurança para proteger negócios e clientes

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Empreendedores ampliam investimentos em cibersegurança

Pequenas e médias empresas estão colocando a segurança digital entre as prioridades do negócio. A popularização de ferramentas de inteligência artificial reduziu o custo e a complexidade para criar aplicativos, plataformas e serviços online. Com isso, mais organizações passaram a operar sistemas próprios – e também ficaram expostas a novas ameaças.

A expansão digital veio acompanhada de ataques cada vez mais automatizados e de vazamentos que atingem empresas de diferentes tamanhos. A ideia de que um negócio pequeno não chamaria a atenção de criminosos já não se sustenta: ferramentas automatizadas podem vasculhar a internet em busca de sistemas vulneráveis, sem escolher os alvos pelo porte da organização.

Quando ocorre uma invasão, os danos não se limitam à recuperação dos sistemas. A empresa pode enfrentar interrupções na operação, custos de investigação e reparo, sanções relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e perda da confiança dos clientes. Reconstruir uma reputação, em muitos casos, leva bem mais tempo do que corrigir uma falha técnica.

Nesse cenário, três tipos de investimento vêm ganhando espaço: proteção das aplicações, testes recorrentes de segurança e monitoramento contínuo do ambiente digital.

1. Firewall para aplicações web

Uma das primeiras medidas é proteger os sistemas expostos à internet. O firewall de aplicação web, conhecido pela sigla WAF, analisa o tráfego que chega aos serviços e pode bloquear tentativas de exploração, acessos maliciosos e atividades automatizadas suspeitas antes que alcancem a aplicação.

Soluções como a Cloudflare são utilizadas por empresas que buscam implementar essa camada de proteção sem precisar montar uma equipe interna especializada. A facilidade de adoção é relevante para negócios menores, mas não elimina a necessidade de configurar as regras de acordo com os sistemas e os riscos da organização.

2. Pentest em aplicações web e mobile

O teste de intrusão, ou pentest, avalia a segurança de uma aplicação simulando técnicas que poderiam ser usadas por um atacante. O objetivo é descobrir vulnerabilidades antes que sejam exploradas. A análise pode abranger sites, sistemas web e aplicativos para dispositivos móveis.

Um processo bem conduzido não se limita a apontar problemas: confirma as falhas, estima seus impactos e apresenta orientações para corrigi-las. Como os sistemas recebem atualizações e novos recursos com frequência, uma avaliação isolada pode deixar de refletir o nível de segurança atual. Por isso, empresas vêm recorrendo a testes recorrentes, inclusive com plataformas de pentest autônomo baseadas em IA, como a da HackerSec.

3. SOC autônomo e monitoramento contínuo

Organizações que já adotaram medidas preventivas podem avançar para o monitoramento permanente. Um SOC – centro de operações de segurança – acompanha eventos, identifica comportamentos fora do padrão e investiga possíveis incidentes. Em modelos autônomos, recursos de inteligência artificial ajudam a correlacionar alertas e iniciar respostas em menos tempo.

Essa capacidade é importante porque ataques podem ocorrer durante a madrugada, em feriados ou em períodos sem profissionais disponíveis para acompanhar os sistemas. Soluções como as da SentinelOne são adotadas por empresas que procuram automatizar parte da detecção e da resposta a ameaças, embora a tecnologia não dispense políticas claras nem supervisão adequada.

Como escolher por onde começar

Nem toda empresa precisa contratar todas essas soluções de uma só vez. O primeiro passo é mapear os ativos digitais: quais sistemas estão expostos, que dados são armazenados, quem pode acessá-los e quais serviços são indispensáveis para manter a operação. Esse levantamento ajuda a priorizar investimentos com base no impacto de cada risco.

Também é importante manter sistemas, aplicativos e dispositivos atualizados. Correções de segurança reduzem a exposição a falhas conhecidas, mas precisam ser aplicadas com planejamento, especialmente em serviços essenciais. Uma rotina de atualização deve incluir cópias de segurança e testes para verificar se os dados podem ser restaurados.

O controle de acesso é outra medida fundamental. Cada pessoa deve ter apenas as permissões necessárias para exercer sua função, e contas antigas ou sem uso precisam ser removidas. Sempre que possível, a autenticação multifator deve ser ativada para dificultar o acesso indevido mesmo quando uma senha é descoberta ou reutilizada.

Treinar funcionários também faz parte da proteção. Mensagens falsas, anexos maliciosos e pedidos urgentes de pagamento continuam sendo formas comuns de enganar usuários. Orientações simples, acompanhadas de um procedimento para comunicar situações suspeitas, podem ajudar a evitar que um clique comprometa a empresa.

Por fim, é recomendável preparar um plano de resposta a incidentes. O documento deve definir quem toma decisões, como os sistemas serão isolados, quais dados precisam ser preservados e como clientes e autoridades serão comunicados quando necessário. Ter essas etapas definidas reduz a improvisação em momentos de crise.

Segurança como parte do crescimento

A mudança de postura indica que empreendedores passaram a enxergar a cibersegurança como componente da continuidade e da expansão do negócio, e não apenas como um gasto a ser considerado depois de um incidente. Proteger aplicações, testar vulnerabilidades e monitorar atividades suspeitas são medidas que podem ser combinadas de acordo com as necessidades e os recursos de cada empresa.

Investir preventivamente ajuda a reduzir riscos para a operação, os dados e a reputação. Adiar toda iniciativa, por outro lado, pode transformar uma falha evitável em prejuízo financeiro e perda de confiança.