Reino unido registra alta de 417% nas perdas com invasões de contas online

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Reino Unido registra alta de 417% nas perdas após invasões de contas online

As perdas financeiras declaradas por vítimas de invasões de contas de e-mail, redes sociais e outros serviços digitais dispararam no Reino Unido no último ano fiscal. O prejuízo informado chegou a £6,3 milhões, cerca de US$ 8,5 milhões, no período encerrado em 31 de março de 2026. Um ano antes, o total havia sido de £1,2 milhão, aproximadamente US$ 1,6 milhão – uma alta de 417%.

O número de pessoas que relataram perdas também cresceu de maneira acentuada. Foram 2.325 vítimas no período mais recente, contra 226 no ano anterior, o que representa aumento de 929%.

Apesar da dimensão dos números, a polícia britânica recomenda cautela ao comparar os dois períodos. A forte elevação coincide com a implantação do Report Fraud, novo serviço nacional de registro de crimes e fraudes que substituiu o Action Fraud. O sistema anterior era criticado por falhas na coleta, no processamento e no encaminhamento das denúncias.

A mudança pode ter feito com que casos antes ignorados pelas estatísticas passassem a ser contabilizados. Segundo a City of London Police, 92% dos relatos de invasões de contas associados a prejuízos financeiros foram apresentados na segunda metade do ano fiscal, justamente quando a nova plataforma começou a ser utilizada de forma mais ampla.

O Report Fraud foi criado para reunir informações mais detalhadas de cidadãos e empresas. Com dados mais completos, as autoridades conseguem identificar padrões, cruzar ocorrências e localizar métodos recorrentes usados por criminosos. Assim, parte do crescimento registrado pode refletir uma melhora na notificação, e não necessariamente uma expansão proporcional da quantidade real de ataques.

Mesmo com essa ressalva, os números confirmam a relevância do problema. Entre 2025 e 2026, o serviço recebeu 64.608 denúncias relacionadas a crimes cibernéticos dependentes de tecnologia, alta de 34%. A categoria inclui invasões, distribuição de malware e outras práticas que exigem o uso de computadores, redes ou sistemas digitais.

As invasões de contas foram o principal tipo de ocorrência, com 44.355 registros. Considerando todos os crimes tecnológicos, as perdas somaram £14,3 milhões, aproximadamente US$ 19,3 milhões, crescimento de 90% em relação ao período anterior. O prejuízo médio por vítima passou de £155 para £220.

O impacto total do cibercrime é ainda maior, pois determinadas fraudes são classificadas separadamente. Golpes de investimento, desvios de pagamentos, fraudes em compras virtuais e ataques contra contas bancárias podem envolver recursos digitais, mas não aparecem necessariamente na mesma categoria das invasões de contas.

Ao reunir essas diferentes modalidades, o Report Fraud registrou £3,2 bilhões em perdas durante o ano, o equivalente a cerca de US$ 4,3 bilhões. O resultado representa uma alta superior a 25% e mostra que os ataques virtuais fazem parte de uma cadeia criminosa mais ampla, que combina roubo de credenciais, engenharia social e manipulação financeira.

A classificação dos casos também pode ocultar a origem de alguns prejuízos. Um invasor pode acessar uma conta de e-mail, observar conversas e utilizar os contatos da vítima para solicitar transferências fraudulentas. Se a pessoa denunciar apenas o golpe financeiro, sem perceber que o e-mail foi comprometido, o registro será contabilizado como fraude, e não como invasão de conta.

As empresas também estão entre os alvos. Ao todo, organizações fizeram 2.271 denúncias de crimes cibernéticos. Nos casos em que o porte empresarial foi informado, pequenas e médias empresas representaram 62% dos registros. Essas companhias costumam ter equipes reduzidas, menos recursos para ferramentas de proteção e maior dependência de serviços terceirizados.

Além de serem vítimas diretas, empresas menores podem servir como porta de entrada para ataques contra organizações maiores. Criminosos procuram fornecedores, prestadores de serviço e parceiros comerciais com controles menos rigorosos para obter acesso indireto a redes corporativas mais protegidas.

Os dados sobre ransomware, por outro lado, não permitem uma conclusão definitiva. O Report Fraud recebeu 323 denúncias desse tipo, queda de 25% em relação às 430 ocorrências anteriores. A polícia ressalta, contudo, que ataques de ransomware podem ser comunicados por diferentes canais e que muitos incidentes não chegam às autoridades.

Informações do Information Commissioner’s Office registraram 452 violações de dados associadas a ransomware entre o segundo e o quarto trimestres de 2025. Os números não podem ser comparados diretamente, porque o órgão de proteção de dados contabiliza incidentes envolvendo informações pessoais, enquanto o Report Fraud reúne denúncias de crimes.

Para reduzir o risco de invasão, especialistas recomendam o uso de senhas longas e exclusivas para cada serviço. A reutilização de uma mesma senha facilita ataques em cadeia: se uma plataforma sofre vazamento, criminosos podem tentar as credenciais expostas em contas de e-mail, redes sociais, lojas virtuais e serviços bancários.

A autenticação multifator é outra medida essencial. Mesmo que a senha seja descoberta, a exigência de um código adicional, aplicativo autenticador ou chave de segurança pode impedir o acesso indevido. Sempre que possível, métodos baseados em aplicativos ou dispositivos físicos devem ser priorizados em relação a códigos enviados por mensagem de texto.

Também é importante conferir sinais de atividade suspeita. Alterações no endereço de recuperação, mensagens enviadas sem autorização, novos dispositivos conectados e notificações inesperadas de login podem indicar comprometimento. Ao identificar qualquer sinal, o usuário deve trocar a senha, encerrar sessões abertas e revisar os métodos de recuperação.

Empresas precisam adotar controles semelhantes em escala maior. Treinamento contra phishing, restrição de privilégios, cópias de segurança protegidas e monitoramento de acessos ajudam a limitar os danos. Fornecedores também devem ser avaliados, pois uma falha em sistemas terceirizados pode afetar toda a cadeia de negócios.

O governo britânico vem reformulando sua estratégia contra fraudes. O plano apresentado em março amplia a responsabilidade de empresas de telecomunicações, plataformas digitais e instituições financeiras na prevenção de golpes. A medida reconhece que o combate ao problema não pode depender apenas da vítima ou da atuação policial depois que o prejuízo já ocorreu.

As fraudes representam aproximadamente 40% dos crimes medidos por pesquisas no Reino Unido. Com a expansão dos serviços online, a proteção de contas passou a ser uma questão de segurança financeira, privacidade e continuidade operacional. A expectativa é que sistemas de denúncia mais completos revelem uma parcela maior dos casos e ajudem as autoridades a direcionar recursos para os métodos de ataque mais utilizados.