Ex-soldado dos Eua é condenado a quase seis anos por ataques a operadoras de telecomunicações

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Ex-soldado dos EUA recebe quase seis anos de prisão por ataques a operadoras

Cameron John Wagenius, ex-integrante do Exército dos Estados Unidos, foi condenado a 70 meses de prisão federal por participar de invasões a empresas de telecomunicações, roubar informações confidenciais e tentar extorquir as organizações afetadas. Aos 22 anos, ele também terá de pagar cerca de US$ 295 mil em restituição.

As atividades criminosas ocorreram entre abril de 2023 e 18 de dezembro de 2024, enquanto Wagenius ainda servia nas Forças Armadas. Nesse período, ele esteve lotado na Coreia do Sul e em Fort Cavazos, no Texas.

De acordo com documentos do processo, o ex-soldado atuava com outros hackers para obter acesso não autorizado a sistemas corporativos. O grupo conseguiu copiar centenas de milhares de registros de empresas e clientes, entre eles históricos de chamadas e mensagens, dados relacionados a serviços de telecomunicações e informações pessoais identificáveis.

Wagenius, que usava o apelido “kiberphant0m”, admitiu em um tribunal federal de Seattle crimes de fraude eletrônica, extorsão e roubo agravado de identidade. Antes disso, já havia se declarado culpado por acusações ligadas à publicação e ao compartilhamento de registros telefônicos protegidos.

Para invadir os sistemas, ele utilizava credenciais de acesso obtidas pelos criminosos e uma ferramenta própria chamada “SSH Brute”. Após copiar os dados, os integrantes do grupo pressionavam as empresas, tanto publicamente quanto em comunicações privadas, para que pagassem pelo menos US$ 1 milhão em resgates.

Parte das informações também foi anunciada em fóruns de cibercrime, incluindo BreachForums e XSS.is. Os registros judiciais indicam que alguns dados foram vendidos e que informações obtidas nas invasões acabaram sendo aproveitadas em outras fraudes.

Entre elas está o *SIM swapping*, golpe em que o criminoso transfere o número telefônico da vítima para outro chip ou aparelho. Com o controle da linha, pode tentar interceptar códigos de autenticação e acessar contas vinculadas ao telefone.

A investigação apontou ainda uma tentativa de vender dados roubados a um serviço de inteligência estrangeiro. Em novembro de 2024, Wagenius escreveu para um endereço de e-mail que acreditava pertencer à inteligência militar de um país não identificado, oferecendo as informações.

Naquele mesmo mês, ele publicou mensagens afirmando ter registros confidenciais de chamadas de uma autoridade governamental e de familiares de outro ex-funcionário público. Os dados continham detalhes das ligações, mas não o conteúdo das conversas. Wagenius ameaçou divulgar mais informações caso não recebesse dinheiro.

O procurador-geral assistente A. Tysen Duva destacou que o condenado conduziu a campanha criminosa por mais de um ano e meio enquanto servia no Exército. Também ressaltou a tentativa de negociar informações roubadas com um serviço de inteligência estrangeiro.

O caso foi associado à onda de ataques contra clientes da Snowflake em 2024, que atingiu mais de cem organizações, entre elas a AT&T. Especialistas em segurança já haviam relacionado Wagenius ao vazamento de registros de chamadas da operadora associados ao presidente Donald Trump.

Na invasão à AT&T, os criminosos acessaram, por meio do ambiente Snowflake, metadados referentes a praticamente todos os registros de chamadas e mensagens de texto dos clientes da empresa durante um período de seis meses em 2022. O material não incluía o conteúdo das comunicações, mas ainda assim podia revelar informações sensíveis sobre contatos e padrões de comunicação.

O processo menciona três supostos co-conspiradores cuja identidade não foi divulgada. Um deles estaria no estado de Washington e outro, no Canadá. A investigação também se conecta a casos envolvendo Connor Riley Moucka e John Erin Binns, apontados como participantes de ataques contra clientes da Snowflake e de invasões anteriores a empresas de telecomunicações, incluindo AT&T e T-Mobile. Moucka aceitou ser extraditado do Canadá para os Estados Unidos e se declarou culpado. Binns foi detido na Turquia em maio de 2024 após ser acusado de envolvimento em um ataque anterior contra a T-Mobile.

Registros de buscas feitas por Wagenius também foram apresentados no processo. As consultas incluíam perguntas sobre as consequências de seus atos, deserção militar, Rússia, obtenção rápida de passaporte e países que poderiam não extraditá-lo.

O episódio evidencia que metadados – informações sobre quem se comunicou, quando e por quanto tempo – podem ser valiosos mesmo sem revelar o conteúdo de uma ligação ou mensagem. Nas mãos de criminosos, esses registros podem servir para extorsão, fraudes de identidade e golpes direcionados.

Para reduzir riscos, operadoras e empresas que armazenam dados devem limitar o acesso aos sistemas, exigir autenticação multifator e monitorar atividades incomuns, como grandes extrações de arquivos. Também é importante proteger credenciais, revisar permissões de funcionários e prestadores de serviço e manter um plano de resposta a incidentes.

Usuários podem adotar medidas complementares: proteger a conta telefônica com um PIN junto à operadora, evitar divulgar dados pessoais e preferir aplicativos autenticadores a códigos enviados por SMS sempre que possível. Se o celular perder o sinal sem explicação ou houver avisos de alteração na linha, é recomendável contatar imediatamente a operadora e os serviços financeiros associados ao número.