International sporting events: lessons we can apply to brazilian football

Por que olhar para fora para melhorar o futebol brasileiro

Se a gente olhar com calma para os grandes eventos esportivos internacionais dos últimos anos, dá para enxergar um manual pronto para o futebol brasileiro. A Copa do Mundo de 2022 faturou cerca de US$ 7,5 bilhões em receitas comerciais, segundo a FIFA, enquanto a Copa do Mundo Feminina de 2023 bateu mais de 1,9 milhão de torcedores nos estádios, recorde histórico. No mesmo período, a Premier League manteve crescimento de receita anual acima de 10%, enquanto a maior parte dos clubes no Brasil segue no aperto de caixa. Em vez de só admirar esses números de longe, podemos destrinchar o que eles fizeram bem e traduzir isso para a nossa realidade de forma prática.

Ferramentas e estruturas que os clubes brasileiros precisam ter na mão

Antes de copiar modelos lá de fora, os clubes precisam organizar a “caixa de ferramentas”. O básico hoje inclui um bom sistema de CRM para torcedores, plataforma de venda de ingressos com dados consolidados e equipe dedicada de marketing digital, porque eventos esportivos internacionais marketing esportivo trabalham com segmentação quase cirúrgica de público. Além disso, vale investir em um curso de gestão e organização de eventos esportivos para formar gente capaz de planejar jornada do torcedor, operação de estádio e ativação de patrocinadores. Sem essa base mínima de tecnologia, processo e gente qualificada, qualquer tentativa de modernização vira remendo caro que não se sustenta depois de uma temporada.

Como aprender com os grandes eventos em etapas bem claras

Em vez de tentar abraçar o mundo, o ideal é montar um passo a passo. Primeiro, escolha 2 ou 3 referências: Champions League, Premier League, MLS, Mundial de Clubes, por exemplo. Depois, detalhe o que funciona neles e pode ser adaptado. A partir daí, crie um plano de ação simples, com metas por trimestre. Entre 2022 e 2024, ligas como MLS e LaLiga focaram pesado em fan engagement digital e conseguiram crescer receitas de matchday mesmo com estádios já cheios. O segredo não foi genialidade, e sim processo. Para clubes brasileiros, vale seguir a mesma lógica de testar pequeno, medir resultado e só então escalar o modelo para jogos maiores.

Boas práticas internacionais que cabem na realidade brasileira

As melhores práticas de gestão no futebol internacional para clubes brasileiros não passam por copiar a folha salarial da Europa, e sim o jeito de organizar o negócio. Nos últimos três anos, por exemplo, a Bundesliga aumentou o uso de dados para precificar ingressos dinâmicos, mantendo ocupação média acima de 90%, enquanto aqui ainda vemos setores vazios em jogos decisivos. Outra lição vem da Premier League, que transforma cada partida em experiência de entretenimento completo, o que aumenta consumo em bares, lojas e produtos licenciados. Adaptar isso significa pensar em ativações simples, acessíveis ao bolso do torcedor brasileiro, mas constantes, não só em clássico ou final de campeonato.

Checklist prático: do planejamento à execução no dia do jogo

Para tirar essas ideias do papel, ajuda trabalhar com checklists muito concretos, focando no planejamento estratégico para clubes de futebol brasileiros e na execução de cada partida como um “mini evento internacional”. Alguns pontos essenciais:
– Definir público-alvo de cada jogo (famílias, jovens, sócios, turistas) e ajustar preço e comunicação
– Mapear toda a jornada do torcedor: compra, chegada, acesso, consumo, saída do estádio
– Planejar ativações simples de marketing e ações com patrocinadores que gerem conteúdo e receita extra
Com isso, cada rodada vira oportunidade de testar conceitos importados dos grandes torneios, medindo impacto em bilheteria, consumo e satisfação do torcedor.

Quando chamar ajuda externa e como usar dados a seu favor

Nem todo clube precisa virar especialista em tudo. Em muitos casos, faz sentido contratar consultoria para gestão de clubes de futebol no brasil, principalmente para diagnosticar gargalos e estruturar processos. Entre 2022 e 2024, diversos clubes que viraram SAF ou profissionalizaram departamentos passaram a usar dados com mais seriedade: análise de churn de sócios, ticket médio por jogo, taxa de ocupação por setor, conversão em produtos licenciados. Boas consultorias ajudam a montar painéis simples para acompanhar esses indicadores, algo muito comum em ligas europeias há anos. O ponto é: se o clube não consegue nem medir o básico, dificilmente vai aplicar o que aprende com Champions ou Copa do Mundo de maneira consistente.

Erros mais comuns e como resolver sem drama

Ao tentar copiar modelos de eventos internacionais, os clubes brasileiros tropeçam nos mesmos pontos: ingressos caros demais para a realidade local, comunicação confusa e promessas de “experiência europeia” que não se cumprem no estádio. Para evitar frustração, é essencial pensar em “versões beta” de cada ação. Comece com um setor piloto, um jogo teste, um pacote para sócios mais engajados. Se algo der errado — filas enormes, problema de acesso, falha de sistema — registre, analise e ajuste rápido. É assim que grandes ligas trataram erros nos últimos anos, sem esconder o problema e com foco em correção, não em culpados.

Formação contínua e cultura de aprendizado no clube

Por fim, nada disso se sustenta sem gente preparada e cultura de melhoria contínua. Incentivar dirigentes, gerentes e até staff operacional a fazer ao menos um curso de gestão e organização de eventos esportivos por ano muda o patamar interno. Além disso, vale montar pequenos grupos de estudo para destrinchar casos recentes: impacto financeiro da Copa 2022, crescimento de público em ligas femininas, números da Copa de 2023, avanços em fan engagement entre 2022 e 2024. Quando o clube transforma esses exemplos em assunto de rotina, o aprendizado com eventos esportivos internacionais deixa de ser moda passageira e vira parte da identidade profissional de quem toca o dia a dia.